terça-feira, 27 de abril de 2010

Poema da Mensagem

Segunda Parte (Mar Português)

II. Horizonte

Ó mar anterior a nós, teus medos



Tinham coral e praias e arvoredos.



Desvendadas a noite e a cerração,



As tormentas passadas e o mistério,



Abria em flor o Longe, e o Sul sidério



'Splendia sobre as naus da iniciação.


Linha severa da longínqua costa -



Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta



Em árvores onde o Longe nada tinha;



Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:



E, no desembarcar, há aves, flores,



Onde era só, de longe a abstracta linha.



O sonho é ver as formas invisíveis



Da distância imprecisa, e, com sensíveis



Movimentos da esp'rança e da vontade,



Buscar na linha fria do horizonte



A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -



Os beijos merecidos da Verdade.

Fernando Pessoa

Comentário:
Este poema, intitulado Horizonte, começa com uma invocação ao mar (Ó mar anterior a nós) que é um espaço por descobrir e, no entanto, o caminho da viagem. Existe assim uma necessidade de vencer o medo que os navegadores têm no mar desconhecido para poder "Ir mais além", vendo e descobrindo um novo mundo a dominar. No poema está presente a ideia de que o homem necessita de sonhar sendo esta representada pela "observação" do horizonte, espaço idílico (ex: árvore, praia, flor, ave, fonte), ilimitado e lonqínquo tornando-se como um impulso para conhecer.
Sílvia Moreira

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