sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Ruy Belo


Ruy Belo é um poeta ensaísta ( ensaios – é um texto literário breve expondo ideias, criticas e reflexões morais e filosóficas a respeito de um certo tema) Português.
Nasceu em 1933 em São João da Ribeira, pequena aldeia do concelho Rio Maior.
Ruy Belo estudou no liceu de Santarém, mais tarde tira o curso de Direito na universidade de Coimbra e depois na universidade de Lisboa onde se diplomou em 1956. Ruy belo também fez o doutoramento em Direito Canónico ( é o conjunto de normas que regulam a vida na comunidade eclisial), na universidade de São Tomás de Aquino em Roma, com uma tese com o titulo “Ficção literária e censura eclesiástica” (1958).
Ruy Belo casa em 1966 com Maia Teresa Carniço Marques, nascendo deste casamento 3 filhos.
Ruy Belo também frequentou a faculdade de letras em Lisboa, e terminou em 1967 a licenciatura em filologia romântica.
Ruy Belo exerceu, durante pouco tempo um cargo de director-adjunto, ministério de educação Nacional, mas o seu relacionamento com os opositores ao regime Ditorial, a participação da greve académica de 1962 e a sua candidatura a deputado, em 1969, pelas listas de comissão eleitoral de unidade democrática (CEUD), levaram a que as suas actividades fossem vigiadas e condicionadas. Ocupou, ainda, um lugar de leitor de Português na Universidade de Madrid (1971-1977). Ruy Belo regressou a Portugal em 1977 onde lhe foi recusado a possibilidade de leccionar na Faculdade de Letras de Lisboa, dando aulas na Escola Técnica do Cacém, no ensino nocturno.
Ruy Belo morreu em 1978 de Agosto, na sua residência.

Obras:

Os seus primeiros livros de poesia foram “Aquele Grande Rio Eufrates” (1961) e “O Problema da Habitação” (1962). Às colectâneas de ensaios “Poesia Nova” (1961) e “Na Senda da Poesia” (1969), seguiram-se obras cuja temática se prende ao religioso e ao metafísico, sob a forma de interrogações acerca da existência. É o caso de
“Boca Bilingue” (1966), “Homem de Palavras” (1969), “País Possível” (1973, antologia), “Transporte no Tempo” (1973), 2A Margem da Alegria” (1974), “Toda a Terra “(1976) e “Despeço-me da Terra da Alegria” (1977).
Alguns Poemas que Ruy Belo escreveu:
Mesmo que não conheças
Literatura explicativa
Compreensão da árvore
Algumas proposições com pássaros e árvores
A morte da água
Mas que sei eu
“Povoamento”
“É triste ir pela vida”
“Contigo aprendi coisas tão simples”
“Este céu passará”


A morte da Água
Um dos passeios que mais gosto de dar é ir a Esposende ver desaguar o Cávado. Existe lá um bar apropriado para isso. Um rio é a infância da água. As margens, o leito, tudo a protege. Na foz é que há a aventura do mar largo. Acabou-se qualquer possível árvore genealógica, visível no anel do dedo. Acabou-se mesmo qualquer passado. É o convívio com a distância, com o incomensurável. É o anonimato. E a todo o momento há água que se lança nessa aventura. Adeus margens verdejantes, adeus pontes, adeus peixes conhecidos. Agora é o mar salgado, a aventura sem retorno, nem mesmo na maré cheia. E é em Esposende que eu gosto de assistir, durante horas, a troco de uma imperial, à morte de um rio que envelheceu a romper pedras e plantas, que lutou, que torneou obstáculos. Impossível voltar atrás. Agora é a morte. Ou a vida.