QUEIRÓS, Eça de (2004), A Relíquia, Porto, Porto Editora.
Resumo da obra:
Teodorico, filho de Rufino Raposo, director da alfândega de Viana do Castelo e de D. Rosa, sobrinha de um comendador Godinho de Lisboa, vivia em Lisboa, na zona do Campo de Santana com uma tia, católica muito devota de nome D. Maria do Patrocínio. Foi viver com a tia aos sete anos de idade, altura em que faleceu o seu pai.
Aos nove anos foi internado num Colégio Católico donde saia um Domingo por mês para o passar com a tia. Voltando ao Colégio ao anoitecer após o jantar. Nestas caminhadas com Vicência (a criada de sua tia), ficou a conhecer o património herdado pela tia.
Passados uns anos foi mandado estudar para Coimbra, na casa de um professor de Teologia. Foi um alívio para si quando este professor morreu, tendo então iniciado uma vida nocturna e depravada para a época.
Pode dizer-se que Teodorico era dissimulado, fingido, depravado, hipócrita, ambicioso, interesseiro e ao mesmo tempo astuto para conseguir manter duas personalidades distintas conforme lhe interessava.
Um dia, após o regresso de um amigo de Paris, lembrou-se de pedir à titi (nome pelo qual tratava a sua tia) que lhe permitisse uma viagem a Paris. No entanto esta proposta foi refutada pela tia que recomendou antes uma viagem à Terra Santa (Palestina, Jerusalém, Rio Jordão, …).
Passou pelo Egipto onde conheceu um arqueólogo Alemão, Dr. Topsius, com o mesmo roteiro.
Durante a viagem conheceu e tomou-se de amores com Miss Mary, uma inglesa que na despedida lhe ofereceu uma camisa de noite usada, embrulhada em papel pardo como recordação de amor e do seu perfume.
Teodorico prosseguiu a viagem e num acampamento perto do rio Jordão, quando dava um passeio descobriu uma árvore “…tão repelente … Era um tronco grosso, curto, atochado …e da sua cabeça … rompiam, como longas pernas de aranha, oito galhos que contei, pretos, moles, lanugentos, viscosos, armados de espinhos … Fora um galho igual … que, arranjado outrora em forma de coroa … ornara … a cabeça …” de Jesus Cristo. (pp.114-115)
Então Teodorico lembrou-se do pedido que a tia lhe fizera de levar lembranças e ocorreu-lhe que aquela árvore poderia fornecer-lhe o presente certo – a relíquia por ela desejada.
Com a cumplicidade de Topsius entrelaçou um galho da árvore que ficou parecido com a coroa de espinhos de Jesus condenado, foi embrulhada em papel pardo e atado com papel escarlate.
No dia seguinte partiram para Jerusalém após algumas aventuras.
Depois de muitas visitas a zonas monumentais do início da cristandade Teodorico decidiu não fazer mais visitas com o seu companheiro Topsius e ocupar-se a empacotar os presentes para a titi e preparar-se para iniciar a viagem de regresso.
Já a caravana saía de Jerusalém quando um criado veio a correr trazer um embrulho esquecido que Teodorico imaginou logo ser a camisa de noite de Mary que não poderia transportar pois a tia não lhe perdoaria se soubesse que na santa viagem tinha andado metido com mulheres.
Ao encontrar, no caminho, uma mulher a chorar a sua desgraça e miséria Teodorico encontrou a solução: não tendo dinheiro para lhe dar, deu-lhe o embrulho comprometedor e lá seguiram viagem.
Após grande e faustosa recepção na hora da entrega dos presentes quando a tia abre a sua relíquia “…espalhou-se, com laços e rendas, a camisa de dormir de Mary!”. (p.253, linhas 5 e 6)
Deserdado, expulso pela tia Teodorico ainda fez negócio com algumas relíquias de Jerusalém e um amigo de infância arranjou-lhe emprego na sua firma.
Comentário:
Adorei ler o livro. Anteriormente já tinha lido uma outra obra deste autor e fiquei igualmente fascinado com a riqueza dos livros. A Religião está bastante acentuada neste livro.
