domingo, 29 de novembro de 2009

João Miguel Fernandes Jorge


Nasceu em 1943 no Bombarral. Formado em Filosofia pela Universidade de Lisboa, é professor do ensino secundário. Poeta e crítico de arte.

é autor de uma vasta obra de ficção, poesia e ensaios sobre arte, colaborador de “O Independente” e co-director da revista “As escadas não têm Degraus”. Recebeu os prémios José Régio de poesia da Feira do Livro do Porto (1975) e Nicola de poesia (1985).

Este é o Papel Singular da Alegria

Este é o papel singular da alegria
a lei errante do país
é o maior dos silêncios.

Caminhei por entre rios pontos de água
estações de novembro
pequena razão dos ventos da manhã.

Não trafiquei não porque seja forte
mas porque falo da alegria do estar sobre vós
nestes pontos de água
na acidez da flor
neste país frequentado

algumas coisas nunca mudarão. O rigor
da luz torna invulnerável o desejo de perder
esta pressa de verão.

Algumas coisas serão sempre as mesmas: manhã
encosta o teu ouvido sobre a porta escuta
era a voz os cavaleiros roubados a Ucello
longínquos.


Ricardo Fernandes, nº 21

Vitorino Nemésio

Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva foi um poeta, escritor e intelectual de origem açoriana que se destacou como romancista, autor de Mau tempo no canal , e professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Nasceu na Praia da Vitória, ilha Terceira, em 1901.
A sua vida não lhe correu bem em termos de sucesso escolar devido a expulsão do Liceu de Angra, a reprovação do 5.º ano e concluir o Curso Geral dos Liceus como aluno externo do Liceu Nacional da Horta, com qualificação de dez valores. Apenas guardou boas recordações de Manuel António Ferreira Deusdado, que o introduziu na vida das letras.
O jornal O Telégrafo deu notícia de que Nemésio, apesar de ser um fedelho, um ano antes de chegar à Horta, havia enviado um exemplar de Canto Matinal, o seu primeiro livro de poesia, ao director do jornal. Chegou à Horta já imbuído de alguns ideais republicanos, pois já havia participado em reuniões literárias, republicanas e anarco-sindicalistas.
Em 1918 estavam instaladas na Horta as companhias dos Cabos Telegráficos Submarinos, possuindo a ilha um ambiente cosmopolita, que contribuiu, decisivamente, para que ele viesse, mais tarde a escrever uma obra mítica que dá pelo nome de Mau Tempo no Canal.
Em 1926, casa com Gabriela Monjardino de Azevedo Gomes, de quem teve quatro filhos: Georgina, Jorge, Manuel e Ana Paula.
Em 1930, transfere se para a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde conclui o curso de Filologia Românica, começando desde logo a leccionar literatura italiana.
Em 1934 doutorou-se na mesma universidade com a tese A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio.
Entre 1937 e 1958 lecciona na Unversidade Livre de Burxelas e no Brasil.
Foi autor e apresentador do programa televisivo Se bem me lembro, que muito contribuiu para popularizar a sua figura e dirigiu ainda o jornal O Dia entre 1975 e 1976.
Vitorino Nemésio foi um dos grandes escritores portugueses do século XX, tendo recebido em 1965, o Prémio Nacional de Literatura e em 1974, o Prémio Montaigne.
Faleceu 1978, em Lisboa, no Hospital da CUF, e foi sepultado no cemitério de Santo António dos Olivais, em Coimbra.

Alexandre O'Neill

Biografia

  • Alexandre Manuel Vahía de Castro O'Neill;

  • Nascido em Lisboa a 19 de Dezembro de 1924;

  • Descendente de família Irlandesa;

  • Poeta importante no movimento surrealista português;

  • Em 1942, com apenas 17 anos escreve os primeiros versos no jornal de Amarante,o Flôr do Tâmega;

  • Em 1947, Alexandre O'Neill, Mário Cesariny e Mario Domingues iniciam experiências a nível da linguagem que conduziram ao desmembramento do sentido lógico dos textos e à pluralidade dos sentidos;

  • Em 1948, juntamente com Mário Cesariny, José Augusto França e António Domingues fundam o Grupo Surrealista de Lisboa;

  • Apesar de nunca ter sido escritor profissional sempre viveu da sua escrita;

  • Em 1959 iniciou-se como redactor de publicidade ficando asim alguns slogans da sua autoria famosos e um que se converteu provérbio: "Há mar e mar, há ir e voltar";

  • Fez parte da direcção da revista Almanaque, onde colaboraram também José Cardoso Pires e Luís de Stau Monteiro;

  • A letra do fado "Gaivota" interpretado por Amália é da sua autoria;

  • Em 1976 sofre um ataque cardíaco;

  • Em 1984 sofre um AVC antecipatório daquele que o iria internar em Abril de 1986;

  • Falece em Lisboa a 21 de Agosto de 1986.


Bibliografia

  • Em 1958, com a publicação de No Reino da Dinamarca vê-se reconhecido como poeta;

  • A sua poesia concilia uma atitude de vanguarda que se manifesta no carácter lúdico do seu jogo de palavras que evidencia o lado surreal do real;

  • Os seus textos caracterizam-se por uma intensa sátira a Portugal e aos portugueses, destruindo assim a imagem de um proletariado heróico criada pelo Neorealismo na alternância da constatação entre o absurdo da vida e o humor como única forma de se opor.


Poema escolhido



Mal nos conhecemos

Inaugurámos a palavra "amigo".



"Amigo" é um sorriso

De boca em boca,

Um olhar bem limpo,

Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,

Um coração pronto a pulsar

Na nossa mão!



"Amigo" (recordam-se, vocês aí,

Escrupulosos detritos?)

"Amigo" é o contrário de inimigo!



"Amigo" é o erro corrigido,

Não o erro perseguido, explorado,

É a verdade partilhada, praticada.



"Amigo" é a solidão derrotada!



"Amigo" é uma grande tarefa,

Um trabalho sem fim,

Um espaço útil, um tempo fértil,

"Amigo" vai ser, é já uma grande festa!



Alexandre O'Neill in No Reino da Dinamarca