II. Os Castelos
Segundo / Viriato

Se a alma que sente e faz conhece
Só porque lembra o que esqueceu,
Vivemos, raça, porque houvesse
Memória em nós do instinto teu.
Nação porque reincarnaste,
Povo porque ressuscitou
Ou tu, ou o de que eras a haste
Assim se Portugal formou.
Teu ser é como aquela fria
Luz que precede a madrugada,
E é já o ir a haver o dia
Na antemanhã, confuso nada.
Comentário:
O poema encontra-se inserido na primeira parte da mensagem - brasão - estando este associado a um passado que não se pode alterar. Fernando Pessoa remete-nos, com este poema, para o princípio da nacionalidade em que fundadores e antepassados, como Viriato, criaram a pátria em que hoje vivemos.
Somos hoje um povo porque, mesmo após a presença de outros povos (como os romanos), renasceu em todos os nossos antepassados o espírito nacional de que Viriato foi a origem. O poeta pretende enaltecer/glorificar todos aqueles que edificaram o país.
Fernando Pessoa compara Viriato à antemanhã (ao nascimento) da nacionalidade portuguesa.
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