segunda-feira, 19 de abril de 2010

MENSAGEM de Fernando Pessoa

Primeira parte: Brasão

II. Os Castelos

Segundo / Viriato



Se a alma que sente e faz conhece

Só porque lembra o que esqueceu,

Vivemos, raça, porque houvesse

Memória em nós do instinto teu.



Nação porque reincarnaste,

Povo porque ressuscitou

Ou tu, ou o de que eras a haste

Assim se Portugal formou.



Teu ser é como aquela fria

Luz que precede a madrugada,

E é já o ir a haver o dia

Na antemanhã, confuso nada.





Comentário:



O poema encontra-se inserido na primeira parte da mensagem - brasão - estando este associado a um passado que não se pode alterar. Fernando Pessoa remete-nos, com este poema, para o princípio da nacionalidade em que fundadores e antepassados, como Viriato, criaram a pátria em que hoje vivemos.



Somos hoje um povo porque, mesmo após a presença de outros povos (como os romanos), renasceu em todos os nossos antepassados o espírito nacional de que Viriato foi a origem. O poeta pretende enaltecer/glorificar todos aqueles que edificaram o país.



Fernando Pessoa compara Viriato à antemanhã (ao nascimento) da nacionalidade portuguesa.

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